Auto-sabotagem

AUTOSABOTAGEM PARTE II 

COMO PODE AJUDAR-TE O AIKIDO RELACIONAL ?

ACOLHER OS ATAQUES INTERNOS COM A POSTURA DE UM AIKIDOCA

No Aikido Relacional, olhamos para a autossabotagem não como um inimigo a eliminar, mas como um interlocutor interno que se manifesta através da agressão. Reconhecer essa voz como um parceiro — mesmo que duro, ríspido ou temeroso — é o primeiro passo para transformar o conflito em caminho

Tal como no tatami físico, onde o praticante acompanha o movimento do atacante sem o rejeitar, também na prática interna podemos seguir um percurso semelhante, feito de atenção, distância adequada e presença.

Três princípios para acolher o ataque interno

  1. Encontrar a distância justa
    Não fugir, não negar, não ignorar. Aproximar-se o suficiente para escutar; afastar-se o suficiente para se proteger.
  2. Escutar com curiosidade
    Há sempre uma intenção por detrás de qualquer ataque — até dos que vêm de dentro. Procurar o ponto onde o conflito pode tornar-se diálogo.
  3. Transformar para crescer
    Após compreender a intenção positiva, o ataque perde força e abre-se espaço para escolher um caminho mais sábio.

 

🧠 1. Autossabotagem mental → O parceiro crítico

Exemplos: Por um lado, queres muito iniciar um projeto, uma viagem, realizar um sonho. E por outro lado , ouves aquela voz na tua cabeça que te paraliza, faz procrastinar. E perdes ânimo . Essa voz te diz :  “Não sou capaz” “Vou falhar ” " Esse sonho já não é para mim", etc.

Esta voz crítica pode ser imaginada como um parceiro interno a quem chamamos “o Assustado”. Ele fala a partir do medo — medo que, no fundo, sofras.

Praticar Aikido Relacional com o Assustado

Aproxima-te suavemente e muda o ângulo a partir do qual o observas. Vê-o não como um inimigo, mas como alguém que teme pela tua integridade.

Quando encontrares um espaço interno seguro, respira e pergunta-lhe:

  • “De que me queres proteger?”
  • “O que temes que aconteça?”

Escuta.
A intenção positiva da crítica interna costuma ser simples: evitar dor, rejeição, humilhação ou desilusão.

Quando reconheces esta intenção, o ataque transforma-se. A batalha nem começa — porque já não existe agressão. E, a partir desse momento, o “Assustado” pode tornar-se “o Prudente”, um parceiro de prática que te alerta, mas que já não te bloqueia.

O caminho de transformação interna

Neste novo espaço, rejeitar o crítico, tentar calá-lo ou submeteres-te totalmente já não faz sentido. Viste com clareza o seu propósito: proteger-te.

Agora é possível construir:

  • Como posso avançar com o meu projeto com mais sabedoria?
  • De que ajuda preciso?
  • Que prudência é sensata, e que prudência me paralisa?
  • O que aprendi que posso aplicar?
  • E, se não resultar, como posso acolher o desfecho com dignidade e maturidade?

Em suma:
Como expandir o meu potencial, mantendo consciência dos meus limites e respeito por mim mesmo/a?